Ação de remoção de erva-das-pampas (Cortaderia selloana) na cidade de Évora promovida pelo LIFE LINES no âmbito da 1a Semana Nacional sobre Espécies Invasoras

NOITE DAS CRIATURAS DAS TREVAS 2020 | ONLINE
2020-10-29
Novo artigo publicado no âmbito do Projeto LIFE LINES
2020-11-11

Ação de remoção de erva-das-pampas (Cortaderia selloana) na cidade de Évora promovida pelo LIFE LINES no âmbito da 1a Semana Nacional sobre Espécies Invasoras

Cortaderia selloana – Um perigo escondido

Vistosas e exuberantes, assim são as plumas de erva-das-pampas (Cortaderia selloana). Muito usadas para ornamentação escondem, no entanto, alguns perigos. Em Portugal é uma espécie exótica [não originária do nosso território] e invasora [espécie que domina o ecossistema desequilibrando o seu funcionamento]. A estas características juntam-se ainda outras, igualmente desfavoráveis, como terem grande potencial alergénico, as suas folhas poderem provocar cortes e terem uma capacidade de dispersão muito elevada, uma vez que cada pluma pode ter milhares de sementes muito leves [ver mais informação em http://stopcortaderia.org/language/pt/descricao-da-especie/]. Embora tenha já sido detetado o seu potencial invasor há mais tempo, esta espécie só integrou pela primeira vez a legislação sobre Espécies exóticas invasoras em Portugal em julho de 2019 através do Decreto-Lei nº 92/2019.

Ação de remoção de Cortaderia selloana promovida pelo LIFE LINES – como surgiu

A dias da realização da ação de sensibilização sobre “O controlo de espécies de flora exótica e invasora no projeto LIFE LINES” promovida pelo projeto, no dia 15 de outubro de 2020, no âmbito da realização da 1ª Semana Nacional sobre Espécies Invasoras (SNEI) recebemos um comentário de uma seguidora da página do LIFE LINES com um alerta sobre a presença de núcleos de erva-dos-pampas numa zona verde da cidade de Évora. Embora o controlo desta espécie de invasora (e em particular nesta localização) não se enquadre no âmbito direto do projeto LIFE LINES, não quisemos ficar indiferentes! Assim, a equipa da flora da Universidade de Évora (através do projeto LIFE LINES) e a Câmara Municipal de Évora (desafiada pela C.M. Vila Nova de Gaia, que é parceira no LIFE STOP CORTADERIA) juntaram-se para operacionalizar a remoção de vários núcleos de erva-das-pampas identificados em espaços verdes públicos de Évora. Foi também contactada a equipa portuguesa do projeto LIFE STOP CORTADERIA, de modo a fornecer algumas linhas orientadoras para a remoção eficaz das plantas.

No dia 15 de outubro teve lugar a primeira ação de remoção, tendo os trabalhos sido prolongados noutros locais por mais dias e ficando assim concluídos no final de outubro. No total foram identificados 7 núcleos de plantas (contabilizando mais de 300 plumas), distribuídos por três locais na cidade. A todas as plantas foram cortadas as plumas (que já não apresentavam sementes na altura) e removidas pela raiz as plantas mais jovens e aquelas cuja remoção não trazia problemas de instabilidade do terreno. Justamente por isso, os núcleos da Torregela, com plantas adultas muito grandes localizadas no talude de uma ribeira, foram apenas alvo de controlo (corte).

Ajudar a combater o problema – APP LIFE STOP CORTADERIA

Uma das formas mais simples que todos os cidadãos têm para ajudar no combate desta invasora é através do seu mapeamento. Para isso, o LIFE STOP CORTADERIA desenvolveu uma aplicação android que permite a qualquer cidadão contribuir de forma simples e intuitiva com os seus avistamentos de erva-dos-pampas para atingir um dos objetivos do projeto LIFE STOP CORTADERIA: “Só com o conhecimento da distribuição real desta planta invasora é possível definir medidas concretas de gestão e controlo desta espécie, para as quais a contribuição de todos os cidadãos é essencial”.

Mais informações sobre a APP LIFE STOP CORTADERIA aqui

Curiosidade

Durante esta ação houve ainda tempo para aprender com os mais velhos! Segundo um dos operacionais da CME, antigamente chamavam à erva-dos-pampas, os “adivinhas”. Isto porque as folhas secas desta planta que formam um pequeno rolo (como é mostrado na fotografia pelo operacional da CME) eram penduradas nas casas e quando começavam a desenrolar (devido à humidade) era sinal de que dias de chuva se avizinhavam.

Créditos fotográficos | Anabela Belo e Sofia Eufrázio